Saiu na SuperVarejo: O futuro do consumo


A análise de quatro indicadores macroeconômicos permite afirmar, com segurança, que o mercado deve performar muito bem ao longo do próximo ano. O primeiro deles é o emprego. Segundo dados do IBGE, a projeção é que, em 2019, 1,7 milhão de empregos sejam criados e mais 1,8 milhão surjam em 2020.

A leve recuperação do emprego nos últimos 18 meses e o controle da inflação também permitiram que outro índice apontasse resultados mais animadores para o futuro: a massa salarial, que mede a soma dos salários dos brasileiros, já atingiu seu maior patamar histórico em 2018, considerando os valores deflacionados, de acordo com dados do IBGE.

Nem mesmo a questão do crédito consegue puxar para baixo as expectativas em relação ao ano que se aproxima: com juros mais baixos, o endividamento das famílias brasileiras é o menor dos últimos dez anos, segundo dados do Banco Central do Brasil.

Para completar, a confiança do consumidor já retornou ao maior patamar dos últimos quatro anos, batendo 93,2 pontos em novembro de 2018, conforme apurado pelo IBGE.

“Todos esses dados nos permitem afirmar, com assertividade, que teremos um ano muito positivo para o consumo. Segundo nossas projeções, teremos um crescimento do varejo acima da inflação, na ordem de 4,5% a 6%”, afirma o COO do Grupo GS&Gouvêa de Souza, empresa de inteligência de mercado, Eduardo Yamashita.

Na prática, isso significa mais consumidores nas lojas, visitas mais frequentes dos shoppers aos PDVs e uma disposição maior para comprar produtos de qualidade, ainda que os itens não sejam os de menor preço. Mas, para aproveitar o bom momento, é preciso entender esse novo consumidor, que emerge pós-crise com novos hábitos. “O consumidor está mais exigente, pois experimentou diferentes canais, categorias e marcas, e tem outro patamar de comparação. Não estará mais focado apenas no preço, mas vai continuar buscando o melhor custo–benefício”, pondera Yamashita.

Consumidor mais exigente

Em um mercado com um grande número de players e alta competitividade, surpreender o cliente é condição essencial para destacar-se. E, para isso, segundo os especialistas, é preciso descobrir a vocação da loja ou da rede, de modo a entregar um diferencial que realmente possa ser percebido pelo shopper, a cada visita. “Uma tendência que temos visto globalmente é o crescimento dos supermercados e dos produtos que se posicionam nos extremos, em relação ao preço. Os que oferecem o preço mais baixo têm crescido, ao mesmo tempo que aqueles que cobram mais caro e conseguem entregar alto valor agregado”, explica o vice-presidente para a América Latina da Simphony Retail AI, provedor de plataformas de Inteligência Artificial, Adriano Araújo.

Para os que não querem entrar na briga de preços, ele afirma que há várias estratégias que podem ser utilizadas, pois pode-se surpreender o consumidor com um atendimento feito por uma equipe altamente capacitada, com serviços e conveniência, e até mesmo por meio do sortimento. “O mercado europeu serve como um bom modelo, pois lá os cash and carry já estão se reinventando, indo muito além das ofertas e do preço baixo.

Muitos estão indo na direção de curadoria de produto”, diz. Ele explica que, em vez de oferecer dezenas de opções de azeite de oliva, por exemplo, essas lojas estão ofertando quatro ou cinco opções, que elas tratam de conhecer mais a fundo para poder recomendar. No ponto de venda, compartilham algumas informações sobre esses produtos, o que ajuda o shopper a fazer uma escolha assertiva, de acordo com suas preferências e seu estilo de vida.

“Em formato de storytelling, o consumidor recebe dados como a descrição dos produtores, os diferentes sabores e as experiências que cada azeite pode proporcionar. Eles partem do princípio de que o shopper não tem tempo para escolher entre dezenas de opções e vai se surpreender positivamente ao descobrir que o supermercado que frequenta já fez uma pré-seleção para ele”, afirma. As informações sobre o produto podem estar expostas em uma peça posicionada na própria gôndola. Mas já há grandes varejistas na China e nos Estados Unidos, por exemplo, que disponibilizam mais dados sobre seus produtos via leitura de QR Code, utilizando aplicativo próprio.

Na mesma linha, compartilhar, na comunicação da loja, seu propósito ou sua missão, sua história, sua origem, seus cuidados em atender a preceitos éticos, entre outros dados, pode ajudar a construir um posicionamento mais estratégico diante da concorrência. “Não podemos nos esquecer que as novas gerações praticam o consumo com propósito e precisam acreditar na marca para se engajar verdadeiramente. Essa é uma tendência que deve se acentuar no futuro”, diz Araújo.

Ao perceber o valor agregado à experiência de compra e/ou ao produto, o consumidor, confiante com a retomada econômica, tende a pôr mais a mão no bolso, além de diversificar a compra, incluindo itens mais caros. “O consumidor vai estar mais receptivo a produtos menos essenciais, mais sofisticados. O mercado premium e gourmet deve crescer. Os cortes de carnes mais nobres, por exemplo, devem ganhar evidência. Da mesma forma, os produtos saudáveis, que relacionam saúde e nutrição, deverão apresentar uma boa performance”, garante o consultor em varejo, professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Juracy Parente. Leia na íntegra.


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